Resenha do livro: A culpa é das estrelas – John Green

Todos somos granadas. Nascemos para viver e morrer. Somos granadas sem data certa para explodir. E devemos fazer o nosso melhor enquanto estivermos vivos. Com Hazel e Augustus não é diferente. Não é porque eles têm câncer. Quando me questionaram se a Gwen Stacey de Spider-Man morreu à toa, eu disse: Não, ela viveu. Viveu, e não apenas sobreviveu. Conheço muita gente não doente que apenas sobrevive. Triste isso.

Sinceramente achei que não ia gostar do livro. Tenho um problema pessoal com livros hypados demais. Foi assim com Anna and the French Kiss e hoje eu leio até a lista de mercado da Stephanie Perkins.

Não vou estragar a graça dizendo porque o livro tem esse título. Me diverti com o casal, com seu humor “negro”, sofri com eles. Me identifiquei com tantos pontos, mesmo não tendo câncer, porque, câncer ou não, a vida está aí e suas experiências também.

E quando a doença progride, a dor, a mágoa, a família, o pesar, tudo machuca. A demência. Mas é importante viver. E ser lembrado. Mesmo que seja por uma pessoa somente.

Fernando Pessoa dizia que depois de uns anos, das piadas dos mortos passam a nos esquecer (digo nós, pois, se estou viva, um dia também morrerei). Não digo que a leitura não doeu, mas ao contrário de muitos, não chorei. Fechei o livro várias vezes, me relacionado com muitas situações. É um livro que faz a gente pensar em agir em vez de esperar uma oportunidade melhor. Sabe por quê? Todos somos granadas. Porque não dizer “eu te amo” e a pessoa morrer e… É brutal. É visceral. É diferente da morte de um pai, de uma mãe, de avós, tios, etc. É a morte de alguém sem ligação sanguínea com a gente e que nos cativou…

Seja doença, acidente brutal… a Morte nos clama a todos. A cada dia que vivemos, podemos receber sua visita. Apesar do tom geral triste do livro, a mensagem para mim é de que devemos viver. Seguir nossos corações. Mesmo que dê errado. Temos que viver. Pois a vida é uma colcha de retalhos que vamos montando aos poucos… ou contos inacabados…

A culpa não é da estrelas, do amor ou da doença. Do pesar, dos amigos, dos amores, dos sonhos não realizados. É nossa a culpa de não abrirmos os olhos para a vida. Bela como uma flor, que fenece e morre, e não perdeu sua beleza enquanto existiu.